Quando o parto deve ser antecipado para proteger mãe e bebê!
- Júlia Alencar
- 5 de set. de 2025
- 3 min de leitura
O anúncio da influenciadora Maíra Cardi de que sua filha nascerá com 38 semanas levantou dúvidas e preocupações sobre os motivos para antecipar o parto. Afinal, o bebê não deveria vir ao mundo apenas quando a gestação completa 40 semanas?
Na verdade, em algumas situações clínicas, a decisão médica de antecipar o nascimento é uma medida de segurança, tanto para a mãe quanto para o bebê. Neste artigo, explico quando isso pode acontecer, quais os riscos envolvidos e como garantir um parto seguro e humanizado.
38 semanas é parto prematuro?
Não. A partir de 37 semanas, a gestação já é considerada a termo, ou seja, o bebê está pronto para nascer. O intervalo entre 37 e 38 semanas e 6 dias é chamado de termo precoce. Apesar de não ser considerado prematuro, cada semana a mais dentro do útero ajuda o bebê a ganhar peso e fortalecer órgãos importantes, como os pulmões.
Por isso, os obstetras só indicam a antecipação do parto nessa fase quando realmente há uma justificativa clínica.
Por que antecipar o parto em alguns casos?
A decisão de realizar o parto com 38 semanas geralmente está associada a condições de saúde da mãe ou do bebê que podem trazer riscos se a gestação avançar mais. Alguns exemplos incluem:
Trombofilia, condição que aumenta o risco de formação de coágulos.
Diabetes gestacional mal controlada.
Alterações no crescimento ou na vitalidade do bebê.
Cada situação deve ser avaliada de forma individual, sempre considerando o bem-estar materno e fetal.
O que é a trombofilia e quais os riscos?
A trombofilia é uma alteração na coagulação do sangue que torna a gestante mais propensa a desenvolver coágulos. Isso pode trazer complicações como:
Trombose venosa profunda.
Embolia pulmonar.
AVC.
Problemas de irrigação na placenta.
Essas alterações podem comprometer tanto a saúde da mãe quanto o desenvolvimento do bebê.
Com acompanhamento adequado, uso de anticoagulantes quando indicado e pré-natal de alto risco, é possível reduzir significativamente os riscos e manter a gestação estável até o momento seguro para o parto.
Quais os riscos para o bebê?
O maior impacto da trombofilia está na placenta, já que a circulação pode ser prejudicada. Isso pode levar a:
Restrição de crescimento intrauterino.
Sofrimento fetal.
Necessidade de antecipar o parto para evitar complicações.
Mas é importante tranquilizar: na maioria dos casos, com acompanhamento médico e tratamento adequado, os bebês nascem saudáveis e não precisam de internações prolongadas.
Decisão individualizada: cada gestação é única
Não existe uma regra fixa que obrigue toda gestante com trombofilia (ou outras condições) a ter o parto exatamente com 38 semanas. Algumas podem esperar até 39 ou até entrar em trabalho de parto espontâneo, desde que os exames mostrem que mãe e bebê estão bem.
O mais importante é que a decisão seja personalizada, baseada em evidências científicas, exames de acompanhamento e diálogo entre paciente e equipe médica.
O olhar humanizado sobre a antecipação do parto
Receber a notícia de que o parto será antecipado pode gerar medo e ansiedade. Por isso, é essencial que a gestante seja acolhida, escutada e tenha todas as suas dúvidas respondidas.
Mais do que seguir protocolos, é preciso respeitar a história e o momento de cada mulher, oferecendo segurança para que ela se sinta protagonista no nascimento do seu bebê.
De forma simplificada...
O parto com 38 semanas não é prematuro, mas deve ser indicado apenas quando há motivos médicos que justifiquem a antecipação. Condições como a trombofilia exigem atenção especial, mas com tratamento adequado e acompanhamento próximo, é possível viver uma gestação tranquila e um parto seguro.
Se você tem dúvidas sobre sua gestação ou recebeu recomendação de antecipação do parto, converse com seu obstetra. A decisão deve ser feita de forma conjunta, sempre priorizando a saúde da mãe e do bebê.
Quer entender mais sobre os riscos que envolvem a pressão arterial durante a gravidez? Leia também o artigo “Será que todo aumento de pressão na gravidez é pré-eclâmpsia?” e aprofunde-se nesse tema tão importante para a saúde da gestante e do bebê.



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